Leonardo Zegur
Autor de Um Lugar Escuro - Baseado em uma História Real
Contato: umlugarescuro@gmail.com
1 - O que você acha do grande preconceito que foi criado com autores nacionais
Primeiro de tudo, acho importante assumirmos isto, pois sempre que debato este tema me deparo com muitas pessoas que tem a ingenuidade de dizer que este preconceito não existe. Qualquer artista nacional, não somente literário, sente na pele este preconceito.
Parece que há imprestabilidade em tudo o que é brasileiro, não somente o autor literário. Porque não valorizamos nossa cultura? Porque ouvimos mais Hip-Hop que MPB? Porque Gisele Bündchen não é mulata? Ou nossa segunda língua não é hispânica? Há alguma coisa de errado com tudo o que é brasileiro, porque se é brasileiro, não presta?
A própria literatura, por exemplo. Preferimos dar valor a livros internacionais, culpando as editoras de publicá-los em massa, deixando-nos poucas opções nacionais de leitura. Desculpinha esfarrapada essa, né? Já pensou se deixássemos de procurar bem um marido porque a maioria dos homens são cafajestes? Por menor que seja a oferta, submetemo-nos a livros internacionais porque não valorizamos o que temos em casa. E aquele velho papo: “adoro ler livros estrangeiros porque me fazem viajar por lugares que nunca fui”. Jura? Vidas Secas de Graciliano Ramos te levará ao sertão nordestino que aposto, a patricinha de São Paulo nunca viu. Porque idolatrar tanto o que vem de fora, se lá fora o Brasil é mais respeitado que aqui dentro? Não há mal em nos deixarmos influenciar por novas culturas, o importante é crescer, evoluir, mas não perder nossas características principais. Dizer que curte rock e só ouvir Iron Maiden, Audioslave, Deep Purple e Kiss não é ser roqueiro, é ser bajulador de estrangeiro. Porque não ouve Angra, Pitty, CPM22, Charlie Brown Jr , Capital Inicial, Skank? Ou pelo menos rock latino? O rock argentino é um dos melhores do mundo, mas sequer ouvimos nas rádios brasileiras.
Até a moda brasileira está em baixa no Brasil, veja os desfiles do Fashion Week. Enquanto lá fora se veste cada vez mais abrasileirado, aqui agente quer americanizar. Estes dias li uma frase de Armani que dizia que no exterior, o Brasil é visto como um país sensual, que exalta a beleza, e é esse valor que o consumidor europeu procura quando compra a etiqueta Made in Brazil. E isto não é só com livros, música e moda... Vejam o comportamento, a cultura, os filmes, o padrão de beleza e até o que um povo tem de maior valor: sua língua.
Eu mesmo fui muito subestimado, não somente por ser meu primeiro romance, mas
por ser brasileiro. O que mais tenho ouvido das pessoas que leram meu livro é: “nossa
eu me surpreendi, não imaginava que o livro seria tão espetacular”. Quer dizer que
só porque é nacional não pode ser bom? Acho que temos que perder esse complexo
de vira-latas que o brasileiro tem. Muita gente se ilude dizendo que não existe
preconceito com o nacional, apenas uma preferência pelo internacional.
Preferência é preferência, é claro, temos a liberdade de escolher. Mas porque então
não admitimos que preferimos única e exclusivamente, exatamente aquilo que
a mídia nos oferta? Coincidência? Acho que não. Estudos mostram que produtos
propagandeados vendem em média 67% mais. O mesmo acontece com os livros de
autores nacionais, mas porque há uma dificuldade tão grande em admitir-se isso?
Coca-Cola vende mais porque é gostosa, ou é gostosa porque vende mais?
Sem hipocrisia, não lemos Harry Potter porque é incrível, lemos porque é best-
seller. Nem temos chances de escolher, as livrarias expõem nas vitrines apenas os estrangeiros, separando 10% somente de todo o espaço da loja para livros nacionais
e de autores menos populares. Pois bem, muitas pessoas pretextam também dizendo
que a maioria das pessoas que lêem livros internacionais, o lêem porque foram
traumatizadas na infância, durante o período escolar, por terem sido forçadas a ler os
famosos clássicos nacionais. Quer dizer que se eu fui forçado a estudar gramática, vou
ficar traumatizado e começar a escrever em castelhano? Sejamos coniventes. Esse tipo
de argumento me parece mais um daqueles que só servem para justificar, sem terem
base sólida e nexo. É como o sujeito que diz que não compra livros porque são caros,
mas está com um celular de R$ 1.000,00 no bolso.
Outro ponto que enfraquece esse argumento é o fato de o trauma por leitura
nacionais levarem os leitores a lerem exatamente literatura norte-americana. Se o
trauma é contra literatura brasileira, porque não ler livros como Resgate na Jordânia:
o universo árabe de Luciana Savaget ou Filipino, de Aurora Quinn (você os encontra
na Livraria da Travessa)? Porque só Stephenie Meyer ou William P. Young que são
norte-americanos? Lembrando que não estou forçando ninguém a ler qualquer tipo
de literatura, só estou questionando o porquê de ler tão preferencialmente o norte-
americano e o inglês, se a literatura existe em todos os povos.
Então, vamos abrir o jogo e admitir? O preconceito existe sim e é isso o que eu acho,
enquanto o brasileiro não melhorar sua auto-estima, vamos continuar subestimando a
nós mesmos e valorizando somente a cultura norte-americana e inglesa.
2 - Como foi escrever um livro que envolve tanto a crítica social? Se baseou em algo?
Escrever este livro para mim foi não só um desabafo, mas a maneira que encontrei de fazer as pessoas repensarem muitas das coisas que já estão invisíveis na paisagem de nosso dia a dia. Coisas absurdas que passam despercebidas por nós, por nos deixarmos levar pela força que move o comportamento social. No livro não falo nada de novo e extraordinário, mas muita coisa do que falo, a maioria das pessoas que leram Um Lugar Escuro sequer haviam até então parado para pensar a respeito. Como por exemplo, quando mostro o lado humano de uma pessoa que comete uma prática condenada por toda uma sociedade, que tão igualmente culpada quanto o próprio praticante do ato, isenta-se hipocritamente da culpa pelo conforto de fechar os olhos para os próprios pecados. Certamente me baseei na sociedade carioca e brasileira em geral, em tudo o que vivi e vi outros viverem. Como o livro é baseado em um caso real passado no Rio de
Janeiro, baseei-me muito também na realidade de vida da pessoa a qual foi inspirada a história. Além de explicar casos verídicos como o de Wellington Menezes de Oliveira que entrou em uma escola de Realengo e atirou e matou 11 estudantes.
Um Lugar Escuro é um romance, mas por se basear em uma história real, tem seus lados tristes e cenas fortes, mas salvo de violência gratuita. Todos os que leram se surpreenderam ao descobrir tudo o que pode estar escondido na rotina do dia a dia comum a todos nós.
3 - Imagina sua obra adaptada para o cinema?
Certamente. Na verdade, quem me deu esta idéia foram os próprios leitores que me dizem sempre que esta história daria um ótimo filme. Estou pensando até em adaptá-lo ao teatro ou roteiro para enviar para produtoras de cinema.
4 - Você já tem alguma idéia concreta para um próximo livro?
Sim... Aliás, já tenho vários outros livros na gaveta, mas ainda estou me acostumando a ver minha obra ofuscada pelo marketing forçoso das grandes produções que nos empurram goela abaixo, seus produtos de qualidade ou não. Ver meu livro ser desdenhado por ter o nome de um brasileiro na capa... Quando já estiver contentado que no Brasil não se lê e de que produzirei meus livros apenas pela arte, visto que nem lucro a literatura dá neste país, então estarei pronto para os próximos lançamentos. E me aguardem, pra quem gosta de cultura em uma dose interessante como Um Lugar Escuro, não perde por esperar pelo próximo romance. Seguirei na mesma linha de “texto viciante” com narrativas envolventes, mas sempre injetando cultura substancial para o leitor. Acho fundamental usar uma boa história para ensinar, não é a toa que meu livro não é falado nas comunidades que discutem os últimos pocket books de aventura da moda, mas citados em sites culturais como www.paginacultural.com e no jornal on-line www.brasil247.com.br.
5 - Se tivesse que escolher um livro de outro autor, para dizer “Esse é o livro que eu gostaria de ter escrito", qual seria?
Sem duvida, Vidas Secas de Graciliano Ramos. Uma verdadeira obra prima da literatura brasileira.
6 - Para terminar, gostaria de mandar algum recado para os seus leitores que acompanham o blog?
Leiam de tudo, não só o que está nas vitrines das livrarias. Em geral os melhores livros ficam nas prateleiras mais distantes.
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Autor de Um Lugar Escuro - Baseado em uma História Real
Contato: umlugarescuro@gmail.com
1 - O que você acha do grande preconceito que foi criado com autores nacionais
Primeiro de tudo, acho importante assumirmos isto, pois sempre que debato este tema me deparo com muitas pessoas que tem a ingenuidade de dizer que este preconceito não existe. Qualquer artista nacional, não somente literário, sente na pele este preconceito.
Parece que há imprestabilidade em tudo o que é brasileiro, não somente o autor literário. Porque não valorizamos nossa cultura? Porque ouvimos mais Hip-Hop que MPB? Porque Gisele Bündchen não é mulata? Ou nossa segunda língua não é hispânica? Há alguma coisa de errado com tudo o que é brasileiro, porque se é brasileiro, não presta?
A própria literatura, por exemplo. Preferimos dar valor a livros internacionais, culpando as editoras de publicá-los em massa, deixando-nos poucas opções nacionais de leitura. Desculpinha esfarrapada essa, né? Já pensou se deixássemos de procurar bem um marido porque a maioria dos homens são cafajestes? Por menor que seja a oferta, submetemo-nos a livros internacionais porque não valorizamos o que temos em casa. E aquele velho papo: “adoro ler livros estrangeiros porque me fazem viajar por lugares que nunca fui”. Jura? Vidas Secas de Graciliano Ramos te levará ao sertão nordestino que aposto, a patricinha de São Paulo nunca viu. Porque idolatrar tanto o que vem de fora, se lá fora o Brasil é mais respeitado que aqui dentro? Não há mal em nos deixarmos influenciar por novas culturas, o importante é crescer, evoluir, mas não perder nossas características principais. Dizer que curte rock e só ouvir Iron Maiden, Audioslave, Deep Purple e Kiss não é ser roqueiro, é ser bajulador de estrangeiro. Porque não ouve Angra, Pitty, CPM22, Charlie Brown Jr , Capital Inicial, Skank? Ou pelo menos rock latino? O rock argentino é um dos melhores do mundo, mas sequer ouvimos nas rádios brasileiras.
Até a moda brasileira está em baixa no Brasil, veja os desfiles do Fashion Week. Enquanto lá fora se veste cada vez mais abrasileirado, aqui agente quer americanizar. Estes dias li uma frase de Armani que dizia que no exterior, o Brasil é visto como um país sensual, que exalta a beleza, e é esse valor que o consumidor europeu procura quando compra a etiqueta Made in Brazil. E isto não é só com livros, música e moda... Vejam o comportamento, a cultura, os filmes, o padrão de beleza e até o que um povo tem de maior valor: sua língua.
Eu mesmo fui muito subestimado, não somente por ser meu primeiro romance, mas
por ser brasileiro. O que mais tenho ouvido das pessoas que leram meu livro é: “nossa
eu me surpreendi, não imaginava que o livro seria tão espetacular”. Quer dizer que
só porque é nacional não pode ser bom? Acho que temos que perder esse complexo
de vira-latas que o brasileiro tem. Muita gente se ilude dizendo que não existe
preconceito com o nacional, apenas uma preferência pelo internacional.
Preferência é preferência, é claro, temos a liberdade de escolher. Mas porque então
não admitimos que preferimos única e exclusivamente, exatamente aquilo que
a mídia nos oferta? Coincidência? Acho que não. Estudos mostram que produtos
propagandeados vendem em média 67% mais. O mesmo acontece com os livros de
autores nacionais, mas porque há uma dificuldade tão grande em admitir-se isso?
Coca-Cola vende mais porque é gostosa, ou é gostosa porque vende mais?
Sem hipocrisia, não lemos Harry Potter porque é incrível, lemos porque é best-
seller. Nem temos chances de escolher, as livrarias expõem nas vitrines apenas os estrangeiros, separando 10% somente de todo o espaço da loja para livros nacionais
e de autores menos populares. Pois bem, muitas pessoas pretextam também dizendo
que a maioria das pessoas que lêem livros internacionais, o lêem porque foram
traumatizadas na infância, durante o período escolar, por terem sido forçadas a ler os
famosos clássicos nacionais. Quer dizer que se eu fui forçado a estudar gramática, vou
ficar traumatizado e começar a escrever em castelhano? Sejamos coniventes. Esse tipo
de argumento me parece mais um daqueles que só servem para justificar, sem terem
base sólida e nexo. É como o sujeito que diz que não compra livros porque são caros,
mas está com um celular de R$ 1.000,00 no bolso.
Outro ponto que enfraquece esse argumento é o fato de o trauma por leitura
nacionais levarem os leitores a lerem exatamente literatura norte-americana. Se o
trauma é contra literatura brasileira, porque não ler livros como Resgate na Jordânia:
o universo árabe de Luciana Savaget ou Filipino, de Aurora Quinn (você os encontra
na Livraria da Travessa)? Porque só Stephenie Meyer ou William P. Young que são
norte-americanos? Lembrando que não estou forçando ninguém a ler qualquer tipo
de literatura, só estou questionando o porquê de ler tão preferencialmente o norte-
americano e o inglês, se a literatura existe em todos os povos.
Então, vamos abrir o jogo e admitir? O preconceito existe sim e é isso o que eu acho,
enquanto o brasileiro não melhorar sua auto-estima, vamos continuar subestimando a
nós mesmos e valorizando somente a cultura norte-americana e inglesa.
2 - Como foi escrever um livro que envolve tanto a crítica social? Se baseou em algo?
Escrever este livro para mim foi não só um desabafo, mas a maneira que encontrei de fazer as pessoas repensarem muitas das coisas que já estão invisíveis na paisagem de nosso dia a dia. Coisas absurdas que passam despercebidas por nós, por nos deixarmos levar pela força que move o comportamento social. No livro não falo nada de novo e extraordinário, mas muita coisa do que falo, a maioria das pessoas que leram Um Lugar Escuro sequer haviam até então parado para pensar a respeito. Como por exemplo, quando mostro o lado humano de uma pessoa que comete uma prática condenada por toda uma sociedade, que tão igualmente culpada quanto o próprio praticante do ato, isenta-se hipocritamente da culpa pelo conforto de fechar os olhos para os próprios pecados. Certamente me baseei na sociedade carioca e brasileira em geral, em tudo o que vivi e vi outros viverem. Como o livro é baseado em um caso real passado no Rio de
Janeiro, baseei-me muito também na realidade de vida da pessoa a qual foi inspirada a história. Além de explicar casos verídicos como o de Wellington Menezes de Oliveira que entrou em uma escola de Realengo e atirou e matou 11 estudantes.
Um Lugar Escuro é um romance, mas por se basear em uma história real, tem seus lados tristes e cenas fortes, mas salvo de violência gratuita. Todos os que leram se surpreenderam ao descobrir tudo o que pode estar escondido na rotina do dia a dia comum a todos nós.
3 - Imagina sua obra adaptada para o cinema?
Certamente. Na verdade, quem me deu esta idéia foram os próprios leitores que me dizem sempre que esta história daria um ótimo filme. Estou pensando até em adaptá-lo ao teatro ou roteiro para enviar para produtoras de cinema.
4 - Você já tem alguma idéia concreta para um próximo livro?
Sim... Aliás, já tenho vários outros livros na gaveta, mas ainda estou me acostumando a ver minha obra ofuscada pelo marketing forçoso das grandes produções que nos empurram goela abaixo, seus produtos de qualidade ou não. Ver meu livro ser desdenhado por ter o nome de um brasileiro na capa... Quando já estiver contentado que no Brasil não se lê e de que produzirei meus livros apenas pela arte, visto que nem lucro a literatura dá neste país, então estarei pronto para os próximos lançamentos. E me aguardem, pra quem gosta de cultura em uma dose interessante como Um Lugar Escuro, não perde por esperar pelo próximo romance. Seguirei na mesma linha de “texto viciante” com narrativas envolventes, mas sempre injetando cultura substancial para o leitor. Acho fundamental usar uma boa história para ensinar, não é a toa que meu livro não é falado nas comunidades que discutem os últimos pocket books de aventura da moda, mas citados em sites culturais como www.paginacultural.com e no jornal on-line www.brasil247.com.br.
5 - Se tivesse que escolher um livro de outro autor, para dizer “Esse é o livro que eu gostaria de ter escrito", qual seria?
Sem duvida, Vidas Secas de Graciliano Ramos. Uma verdadeira obra prima da literatura brasileira.
6 - Para terminar, gostaria de mandar algum recado para os seus leitores que acompanham o blog?
Leiam de tudo, não só o que está nas vitrines das livrarias. Em geral os melhores livros ficam nas prateleiras mais distantes.
Sinopse do Livro:
Personagem tão comum, sujeito de classe média, sem virtudes, sem nem nada deu origem a tal tragédia. não é loiro, nem bonito, nem seus olhos são azuis, o seu trejeito e sua voz, a feiura fazem jus. Não namora, nem badala, sua vida é uma inédia, já de menino era feio, motivo alheio de comédia. Deixou que se fosse a vida, que passasse a infância, julgou que sendo moço deixaria a ignorância. Mas seus dias se esticaram e o desgosto não cedeu, continuou sendo a comédia, miserável qual plebeu. Foi zombado e humilhado com ardor e grande instância, se fosse ter com as mulheres era tratado com arrogância. Mas cansado de sofrer fez valer o seu respeito, nunca foi de mala ré, nem tão pouco homem suspeito. Mas seus rivais irão pagar pelo mal que lhe fizeram, pelo bullying na escola, pela aflição que lhe impuseram. Nunca quis ferir ninguém, antes disto ser aceito, mas a vida lhe ensinou que não se mata o preconceito. // Um Lugar Escuro é o livro de romance psicológico naturalista do autor Leonardo Zegur. O subtítulo é: baseado em uma história real. A história traz temas como bullying, descriminação e preconceito. Sua primeira edição foi em 08 de outubro de 2011 pela Editora Multifoco, no Rio de Janeiro, Brasil.









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